O interesse de estrangeiros pela Universidade da Amizade dos Povos (RUDN) quase dobrou em 2026. O reitor da universidade, Oleg Yastrebov, disse que a procura pela instituição cresceu perto de duas vezes em relação à campanha anterior, com candidatos de 136 países, incluindo novidades como Nova Zelândia e Maldivas (АГН Москва, 2026).
Só pela cota governamental da Rússia, organizada pela Rossotrudnichestvo, foram mais de 6 mil pedidos, três vezes o número de vagas orçamentárias disponíveis. Na base contratual, os quase 3 mil pedidos registrados até 1º de agosto também representam o dobro do ano passado.
1. Quem está correndo atrás
Os três países que mais enviam candidatos são China, Turcomenistão e Turquia. Por regiões, Ásia e países da CEI lideram, cada um com mais de mil pedidos. A RUDN sempre teve vocação internacional, mas o salto de 2026 mostra que essa posição se consolidou: hoje há mais gente disputando cada vaga, e o nível de competição entre estrangeiros cresceu junto.
A novidade na lista deste ano, Nova Zelândia e Maldivas, indica que o alcance da universidade está indo além das regiões tradicionais. Para o Brasil, o canal segue aberto pela mesma cota governamental, e a concorrência não impede que brasileiros entrem, apenas exige preparo.
2. As áreas mais disputadas
Medicina, odontologia, relações internacionais, engenharias e ciências agrárias seguem entre as áreas mais procuradas. Mas há um dado curioso: a filologia e a linguística, cursos ligados ao estudo das línguas, aparecem com demanda especialmente alta entre os candidatos chineses.
Entre os estrangeiros, os cursos com mais de dez candidatos por vaga são business informática e direito. Biologia, economia, matemática e gestão ficam na casa de cinco por vaga. Ou seja, quem quer estudar na RUDN precisa levar a sério a preparação, especialmente o domínio do russo, que é a língua de ensino em quase todos os programas.
3. O que é a RUDN
A Universidade da Amizade dos Povos foi fundada em 1960, no auge da descolonização, para receber estudantes da Ásia, África e América Latina. O nome original, em homenagem a Patrice Lumumba, líder da independência do Congo, marcou a proposta da instituição: formar quadros para os países que estavam se libertando do colonialismo.
Hoje a RUDN é uma das universidades mais internacionais da Rússia, com estudantes de mais de 150 países em diferentes momentos da história. O perfil diplomático e multicultural segue vivo, e isso se reflete no dia a dia: é difícil andar pelo campus e não esbarrar em uma conversa em outro idioma.
4. Vocabulário útil para acompanhar o tema
A notícia traz palavras que valem a pena guardar:
- ректор (réktor): reitor
- иностранный студент (inostránny studént): estudante estrangeiro
- бюджет (byudzhét): vaga pública, gratuita
- контрактная основа (kontráktnaya osnóva): base contratual, vaga paga
- филология (filológia): filologia, estudos de língua e literatura
- лингвистика (lingvístika): linguística
São termos frequentes em qualquer conversa sobre ensino superior na Rússia, e reconhecê-los ajuda tanto na leitura de notícias quanto na vida universitária.
5. O que isso significa para quem quer estudar na Rússia
A dupla MGU e RUDN resume o momento do ensino superior russo: as melhores universidades do país estão cada vez mais disputadas por estrangeiros, e a porta de entrada continua sendo a cota governamental, que paga mensalidade e bolsa.
O filtro real não é burocrático, é linguístico. As vagas existem, a bolsa existe, o que separa o candidato aprovado do reprovado é, na maioria das vezes, o domínio do russo. Quanto mais cedo o idioma entra no plano, maior a chance de entrar.
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