A Rússia caminha para um exame unificado de proficiência em russo para estrangeiros que querem entrar nas universidades do país. O projeto de conceito da prova já foi elaborado, anunciou a conselheira presidencial Elena Yampolskaya (Izvestia, 2026). Hoje, cada instituição define sozinha o formato do teste, o que cria uma colcha de retalhos de exigências e níveis. A unificação promete padronizar o que se espera do candidato e dar mais previsibilidade para quem se prepara do outro lado do mundo.
O caos atual
A verificação de russo para estrangeiros já existe: todo candidato a uma vaga passa por uma prova de idioma. O problema é que cada universidade escolhe o conteúdo e a forma do teste. Quem quer estudar na Rússia precisa descobrir, universidade por universidade, o que vai cair na prova, qual o nível exigido, se há exame eliminatório ou apenas classificatório.
A ideia de um certificado único circula desde meados dos anos 2010, quando especialistas da RUDN chegaram a propor um conceito. No fim de 2024, o presidente Vladimir Putin pediu propostas concretas, e em meados de 2025 o Ministério da Ciência e Ensino Superior sinalizou que um exame padronizado entraria em vigor a partir de 2026. Agora o projeto de conceito está pronto, e os parâmetros finais devem ser revelados em breve.
O que a prova vai medir
Um teste de proficiência não é uma prova de regras decoradas. Pelo desenho atual, o exame cobre leitura, compreensão auditiva, escrita, fala, vocabulário e gramática, e ainda a capacidade de usar o idioma em situações reais: acompanhar uma aula, entender termos científicos, escrever trabalhos acadêmicos e resolver o dia a dia.
Para quem estuda pensando em uma vaga nas universidades russas, o recado é claro: o objetivo não é conjugar de cor, é conseguir estudar e viver em russo de verdade. Quem já conhece o TRKI (Test of Russian as a Foreign Language), a certificação internacional de proficiência em russo, sabe que o formato não é novidade. A diferença é que agora o exame deixa de ser opcional e passa a ser requisito padronizado para admissão.
Dois caminhos para chegar lá
Existem dois percursos comuns para quem quer estudar na Rússia. O estudante pode ir direto para a graduação e prestar o exame de russo na chegada. Ou pode fazer um ano de curso preparatório, o tradicional curso preparatório (podgotovítelniy fakultét, подготовительный факультет), e só então encarar a prova, depois de meses de imersão.
Muitos escolhem o segundo caminho: chegam ao país sem falar nada e, em um ano, já acompanham aulas em russo. Dados citados pela Izvestia mostram que cerca de 20% dos estrangeiros não concluem o preparatório a tempo, o que confirma que o idioma é, de longe, o maior filtro da jornada. Quem leva a sério o estudo do russo desde o Brasil chega com vantagem enorme.
500 mil estudantes até 2030
A meta do governo russo é ter 500 mil estudantes estrangeiros no país até 2030, e hoje são cerca de 420 mil, segundo números do próprio Ministério. Os maiores grupos vêm do Cazaquistão, da China, do Uzbequistão, da Índia e de países vizinhos. Com um exame único, as regras do jogo ficam transparentes: o candidato sabe exatamente o nível exigido antes de comprar a passagem.
Há ainda quem veja a medida como um freio para falsos estudantes, gente que entra na universidade só para conseguir visto e trabalhar, casos que já viraram processos criminais em várias regiões. A prova não resolve tudo sozinha, mas ajuda a fechar essa porta.
Se estudar na Rússia faz parte do seu plano, o primeiro passo é o idioma. E é exatamente aí que a Troika entra: a Troika está em troikaidiomas.ru.
Fontes
- Izvestia, 2026. “Вступительная речь: что изменит единый экзамен по русскому для иностудентов”. https://iz.ru/2146807/sergei-gurianov/vstupitelnaia-rech-chto-izmenit-edinyi-ekzamen-po-russkomu-dlia-inostudentov