A Universidade Estatal de Moscou (MGU) recebeu mais de 6,7 mil pedidos de candidatos estrangeiros em 2026, e esse número é só uma parte de uma campanha recorde: ao todo foram 91.431 candidaturas para as vagas públicas, vindas de 22.466 pessoas. Os dados foram divulgados pela própria universidade em 7 de agosto (RIA Novosti, 2026).
São exatamente 6.785 inscrições de estrangeiros para os programas de bacharelado e especialidade, segundo o serviço de imprensa da MGU. A universidade é a mais antiga e a maior da Rússia, fundada em 1755 por iniciativa de Mikhail Lomonosov, e segue sendo uma das instituições mais disputadas do país, tanto por russos quanto por quem chega de fora.
1. O que os números dizem
O balanço da campanha de admissão de 2026 mostra uma demanda que não arrefece. As 91.431 candidaturas para as vagas orçamentárias, também chamadas de vagas públicas, representam a pressão de 22.466 pessoas, o que dá uma média de mais de quatro inscrições por candidato. Isso acontece porque cada estudante pode se candidatar a mais de um programa dentro da mesma universidade.
No caso dos estrangeiros, o interesse tem um canal específico: a cota governamental da Rússia, organizada pela agência Rossotrudnichestvo. É por esse caminho que brasileiros conseguem estudar na MGU sem pagar mensalidade, com direito a bolsa durante o curso. A universidade é uma das que mais recebem alunos pela cota, e a procura por essa porta de entrada só cresce.
2. Por que a MGU atrai tanta gente
A MGU é a universidade número 1 da Rússia em praticamente todos os rankings internos. O edifício principal, nas Colinas dos Pardais (Vorobyovy Gory), é um dos sete arranha-céus stalinistas de Moscou e virou símbolo da cidade. Dentro dele funcionam dezenas de faculdades: matemática, física, química, jornalismo, relações internacionais, línguas estrangeiras e muitas outras, com laboratórios e bibliotecas que estão entre os maiores do país.
Para quem vem do exterior, a MGU oferece programas preparatórios de russo antes do ingresso no curso escolhido. É a chamada faculdade preparatória, o podfak, onde o estudante passa um ano focado no idioma e em disciplinas básicas antes de começar a graduação de verdade.
3. O que isso tem a ver com aprender russo
Tudo. A cota governamental não exige que o candidato já fale russo no momento da inscrição, mas o domínio da língua decide a qualidade da experiência. Quem chega com base no idioma aproveita muito mais o podfak, acompanha as aulas sem sofrimento e consegue se comunicar fora da universidade.
Para quem está começando, o vocabulário da notícia já é uma aula:
- абитуриент (abituriént): candidato, vestibulando
- заявление (zayavlénie): inscrição, pedido formal
- бюджетное место (byudzhétnoe mésto): vaga pública, gratuita
- приёмная кампания (priyómnaya kampániya): campanha de admissão
- бакалавриат (bakalavriát): bacharelado
- специалитет (spetsialitét): especialidade, curso de cinco anos com título de especialista
Essas palavras aparecem em qualquer conversa sobre universidade na Rússia, e saber reconhecê-las facilita até a leitura de notícias como esta.
4. O que esperar dos próximos anos
A tendência de alta na procura estrangeira não é exclusiva da MGU. Outras universidades russas, como a RUDN, também registraram crescimento forte em 2026 (ver notícia relacionada no site). O padrão é o mesmo: a Rússia ampliou as vagas da cota governamental para estrangeiros, e os países do BRICS, incluindo o Brasil, estão no centro dessa política.
Para o brasileiro que sonha em estudar em Moscou, o recado é claro: o caminho existe, é financiado pelo governo russo, e a principal moeda de troca é o domínio do idioma. Quanto antes começar o russo, mais preparado o candidato chega.
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