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2 de julho de 2024

Culturas de mais de 190 povos da Rússia

A Rússia é o lar de mais de 190 grupos étnicos, cada um com seu próprio idioma, tradições, costumes e cultura. As minorias nacionais na Rússia incl...

Representantes de mais de 190 grupos étnicos vivem na Rússia, cada um dos quais tem sua própria língua, tradições, costumes e cultura únicos. Entre as minorias nacionais na Rússia, povos como tártaros, bashkirs, chuvash, mari, udmurts, yakuts, chechenos, inguches, kalmyks, buryats e muitos outros podem ser distinguidos.

Um mosaico de mais de 190 povos

Poucos países no mundo abrigam tamanha diversidade étnica. A Rússia é o lar de mais de 190 grupos étnicos, cada um com seu próprio idioma, tradições, costumes e cultura. Entre as minorias nacionais na Rússia, destacam-se povos como tártaros, bashkirs, chuvash, mari, udmurts, yakuts, chechenos, ingush, calmuques e buriates — cada qual com uma identidade que resiste ao tempo e se entrelaça com a história do país.

Essa diversidade não é apenas um dado demográfico: é uma realidade viva. Caminhar pelas ruas de Kazan, Ufa ou Grozny é ouvir línguas diferentes do russo, ver arquiteturas que misturam influências eslavas, turcomanas e caucasianas, e provar pratos que nenhum viajante desatento imaginaria encontrar dentro da mesma fronteira nacional.

A cultura russa: raízes profundas, alcance global

A cultura russa ocupa um lugar inegável na história da civilização mundial. Moldada pelo cristianismo ortodoxo, pela vastidão geográfica do território e por séculos de trocas com povos vizinhos, ela produziu obras que atravessaram fronteiras — de Guerra e Paz, de Liev Tolstói, às telas de Ilya Repin, passando pelas partituras de Piotr Tchaikovsky.

Mas o patrimônio russo vai muito além dos grandes nomes que o Ocidente costuma associar ao país. O folclore eslavo — com seus contos de heróis mágicos e florestas encantadas —, a tradição do banya (o banho russo de vapor), as panquecas de blini, as bonecas matryoshka e o kokoshnik são expressões de uma cultura popular que continua presente no cotidiano de milhões de pessoas.

Mais do que um conjunto de símbolos, as tradições russas funcionam como um fio condutor que conecta os mais de 190 povos do país, sem apagar as particularidades de cada um.

Os tártaros: um povo com séculos de história

Segundo maior grupo étnico da Rússia, os tártaros estão espalhados por diversas regiões — do Tartaristão à Sibéria, passando por Bashkortostan, Udmurtia e Chuvashia. Sua cultura sobreviveu a períodos difíceis e se mantém vibrante, especialmente em Kazan, capital do Tartaristão, onde mesquitas e igrejas dividem o horizonte.

A culinária tártara é uma das mais reconhecidas entre as culturas russas não eslavas. Pratos à base de cordeiro e carne bovina, temperados com especiarias e ervas aromáticas, refletem a posição geográfica do povo tártaro na encruzilhada entre Europa e Ásia. O echpochmak — um pastel recheado com carne e batata — é talvez o prato mais emblemático dessa tradição gastronômica.

Na música, os tártaros preservam um repertório vocal rico, intimamente ligado às suas raízes culturais e religiosas. Instrumentos como o kubyz (um instrumento de cordas), o bayan (acordeão) e o violino tártaro acompanham canções folclóricas conhecidas como kulesh, transmitidas de geração em geração. As danças tradicionais — como ailyk e zurle — são outra forma de expressão da identidade nacional tártara.

O artesanato tártaro merece atenção à parte. A tecelagem de tapetes, a cerâmica, os bordados delicados e os trabalhos em couro produzidos por artesãos tártaros são peças que carregam padrões geométricos e motivos florais característicos, presentes em feiras e museus por toda a Rússia.

Os bashkirs: guardiões dos Urais

Com uma história que remonta a milhares de anos, os bashkirs habitam as encostas dos Montes Urais e as estepes do sul dos Urais. Seu idioma, pertencente à família turcomana, é falado ao lado do russo na República do Bashkortostan, onde a cultura nacional é ativamente preservada e celebrada.

A gastronomia bashkir é generosa e reflete o modo de vida tradicional de um povo que historicamente combinava criação de gado, agricultura e apicultura. Pratos como chak-chak (massa frita em formato de pirâmide, banhada em mel), manty (pasteis cozidos no vapor), kulebyaka e echpochmak fazem parte do cardápio cotidiano e festivo. Curiosamente, o mel bashkir — especialmente o das abelhas nativas da região — é considerado um dos melhores da Rússia.

A tradição musical bashkir tem forte caráter vocal, com canções que narram episódios épicos, lendas e cenas da vida cotidiana. O kubyz, a dombra (alaúde de duas cordas) e o bayan são os instrumentos que acompanham essas melodias, transmitidas oralmente ao longo de séculos.

As danças bashkir — entre elas kөylәk, sәrke e bishke — traduzem em movimento a relação do povo com a natureza, os cavalos e os ciclos agrícolas. São apresentadas tanto em festividades locais quanto em palcos internacionais, mantendo viva a identidade cultural do Bashkortostan.

Quanto ao artesanato, os bashkirs se destacam pela tecelagem de tapetes com padrões tribais, bordados coloridos, trabalhos em couro e cerâmica. Cada peça carrega símbolos que remontam a crenças antigas — muitas delas anteriores à adoção do islã — e funcionam como um registro visual da cosmovisão bashkir.

Muito além de tártaros e bashkirs

A diversidade étnica da Rússia não se limita a esses dois povos. Os chuvash, descendentes dos antigos búlgaros do Volga, mantêm uma língua turcomana única e rituais ligados ao ciclo agrícola. Os mari, um dos poucos povos fino-úgricos que preservou sua religião tradicional pré-cristã, realizam orações coletivas em bosques sagrados até hoje. Os udmurts são conhecidos por sua tradição de forja e pela festa do Gerber — o Ano Novo agrário.

No extremo oriente russo, os yakuts (sakhá) desenvolveram uma cultura adaptada ao clima mais hostil do planeta, com o épico Olonkho — reconhecido pela UNESCO como patrimônio imaterial da humanidade. Os buriates, de origem mongol, mantêm viva a tradição do budismo tibetano na região do Lago Baikal. E no Cáucaso, chechenos e inguches preservam um código de honra ancestral — o nakhch — que regula a vida social, a hospitalidade e as relações entre clãs.

Por que essa diversidade importa

Conhecer as culturas russas para além da imagem estereotipada do país é uma forma de compreender como a diversidade étnica molda nações inteiras. As tradições russas que chegam ao mundo — da literatura à música clássica — são apenas a camada mais visível de um tecido cultural muito mais amplo e complexo.

Para quem planeja viajar pela Rússia, essa riqueza é um convite: cada república autônoma, cada região, cada cidade pequena oferece uma experiência diferente. Da culinária tártara de Kazan às montanhas sagradas dos bashkirs, das cerimônias mari nos bosques do Volga aos tapetes coloridos do Cáucaso — a Rússia dos 190 povos é um destino que recompensa quem busca ir além do óbvio.

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